Frida, a mulher que não se "Kahlou"!
- Fernanda Crosara
- 5 de jun. de 2016
- 2 min de leitura
"Pensavam que eu era uma surrealista, mas eu não era. Nunca pintei sonhos. Pintava a minha própria realidade”
(Frida Kahlo, O diário de Frida Kahlo: p. 287).

Uma mulher, mas não uma mulher qualquer. Uma mulher com M maiúsculo, M de mulher e de marcas, no corpo, mas principalmente na alma. Marcas, cicatrizes, cortes, amputações. Corpo ferido e alma muitas vezes dilacerada. Marcada pela sua própria existência.
Essa foi Maldalena Carmen Frida Kahlo , conhecida como Frida Kahlo, nascida em 1907 em Coyoacán, na Cidade do México. Considerada mundialmente a mais importante pintora mexicana. Porém mas que pintar quadros, ela pintou vida, morte, dores, amores, vísceras. Suas pinturas são tão viscerais que dão a sensação de estarmos pela visão, sentindo exatamente o que ela sentiu na carne, e o que viveu na alma.

Conseguiu por meio de um pincel e uma tela em branco pintar coisas abstratas. Pintava dores que não podiam ser sentidas. Angústias que não podiam ser faladas. Conflitos que não podiam se resolver e nem se externalizar, Pintou liberdade quando estava presa. Além de expressar dores, encontrou na arte uma maneira de dar voz a sua transgressão como mulher.
Uma mulher que não se prendeu a rótulos, a gênero, a convenções sócias e morais. Quem podia ousar dizer a essa mulher o que fazer. Ela não pensava e agia porque alguém havia lhe ensinado isso ou muito menos porque a cultura pregava. Puritanismo hipócrita, isso ela sempre vomitou, pois precisou algumas vezes engolir, mas jogava pra fora. Uma mulher quer passou por 35 cirurgias, três abortos, tentativas de suicídio e teve uma perna amputada.

Uma mulher a frente de seu tempo, e que ainda hoje a considero como alguém que representa nosso gênero. Um vulcão. Frida era à flor da pele. Uma pele forte e uma flor que nunca perdeu seu delicado cheiro. Ela era forte, mas continuava com uma delicadeza feminina. Que só as mulheres têm e ela teve. Charmosa e dona de uma beleza ímpar, viveu um amor que rompia com todas as convenções da época, mas bancava seu desejo. Frida não se preocupava em definir-se, de nenhuma forma, ela não queria entrar em nenhum formato, regra ou cerceamento. E lutou pra isso. Toda essa ânsia por liberdade, por movimento, muitas vezes, foi impossibilitado por suas limitações corporais causadas pelos acidentes e doenças que sofreu. Viu-se por muitos anos presa em uma cama. Mas não se prendeu a isso, pois, apesar de presa na cama, se libertou pela pintura.

Uma mulher que decidiu por um ato criativo dar conta de suas paixões (tanto afetos como desafetos) pintando, falando e não se “kahlando”. Afinal não falamos só por palavras, falamos também por pinturas, pinturas silenciosas mas que gritam essa grande mulher vulcão prestes a explodir e que se questionava qual a importância de se ter pés, se você poderia voar. Que dizia que amuralhar seu sofrimento era correr o risco que ele te devorasse, e que por fim descobriu que o que não a matava, a alimentava.
Alimentava de força, de inspiração, de legado. Frida, uma mulher que não se kahlou mesmo com duros golpes que a vida lhe deu. Uma mulher com M maiúsculo de MARCANTE. Ela marcou!






















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