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Poros

  • Fernanda Crosara
  • 8 de jul. de 2021
  • 1 min de leitura

Estava se descobrindo extremamente carnal mas não se reduzia a isso! Era um encontro, uma fusão completamente sem nome entre carne, corpo, veias, sangue, alma, desejo, músicas, pele, arrepio, suor, cigarros, palavras, frases, estrofes, versos, vinho, poesia e sexo. Mas estava sozinha. Sexo com as palavras, com a música, com a vista. COm tudo que terminava em porra. Que porra de música. Que porra de vinho. Que porra de vista. Que porra de sexo com a vida! Estava embriagando-se. Excessivamente. Embriagando-se de vida! Gozar com cada palavra que tocava seu corpo, gozar cada pensamento que desnudava sua memória e incidia em seu corpo. Sexo com as frases. Estrofes de seu corpo. Textos de sua alma. Desejo de ser lida. Mas tinha que escrever-se. Ler-se. (Des)cobrir-se de qualquer coisa que cobria isso que estava saindo pelos poros. Poros da pele. Do papel. Estava embriagada e precisava beber mais de si, de suas próprias palavras, de suas escritas antes de deixar alguém entrar e ler.

 
 
 

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